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segunda-feira, 5 de março de 2012

Minha pequena




Desde o momento que soube de teu choro e de tuas palavras que em mim tudo se moveu
Amo-te tanto que preciso olhar para outros lados para que a saudade que sinto não me consuma

Minha pequena e meu grande amor dormir contigo é minha maior dádiva
Teu corpinho junto do meu cura todas as minhas dores
Tuas falas tão espertas despertam toda minha alegria
Não há nada mais divino do que tuas pernas sobre as minhas
Ter você querendo esconder-se tanto em mim

Não chore meu amor eu penso em ti todo tempo
Jamais pense que não desejo estar junto de ti
Não há nada que eu anseio mais que isso
Aguarde-me estou chegando para te mostrar o quanto é grande meu amor

Um dia sei que entenderás
Um dia conversaremos andado na praia
E neste dia lembraremos com gozo de todas as noites que passamos juntos que nos fez esquecer essas onde meu coração dilacerado chama apenas pelo teu nome

Ivo Fernandes
5 de março de 2012

Lucidez



Num dia em que me olhava assustei-me
Vi-me assim, não como aquele que se comportava de maneira tal
Vi-me sendo, crendo, tendo em mim o que pra fora se manifesta

E o que há de errado nisso?
Tudo! Pois não somos daqueles que são, mas o tempo todo temos não sido para caber no mundo que inventamos

Percebi-me tão eu mesmo que me vi perdido dos demais
Viram-me tão perdido, e eu me sentido tão achado em mim mesmo
Talvez não seja mais quem um dia fui
Ou tenha vindo a me tornar o que sempre terei sido

Sinto-me com aquela mistura de lucidez com riso
Não me sinto definido, mas não estou confuso
Estou vendo o que não se vê
Subi num monte e meus amigos perderam-me de vista

Alguns ainda bradam sobre o perigo do meu caminho
Mas não consigo mais voltar, mesmo que quisesse, já não é mais questão de desejo
Tornei-me o que sou

Ivo Fernandes
5 de março de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

παν




Minha alma?
Não! Não posso falar de uma alma que sou
Nunca sei quem sou
Sinto-me tantos que não sei qual sentimento possuo ou que palavra me pertence
Tentar me definir é uma tarefa impossível
Quando pensas que sinto isso já é aquilo e quando pensar ser aquilo não o será

Sendo muitos nada possuo e ainda tudo tenho
Em nada creio e tenho toda fé do mundo
Amo o que repudio e afasto o que me atrai
Não sou bom nem mau
Sou muitos

Ivo Fernandes
27 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Acontecimento





A chuva se aproxima

O tempo parece parar

E nas horas do silêncio percebemos que certas coisas apenas são



Eu amei você

Eu escolhi você

E agora não há respostas para as perguntas que faço



Invadi o jardim dos sonhos

Andei por desertos

E agora habito um espaço tão meu que chega a doer o silêncio que tem por aqui



As lembranças moldam-se a tempos novos

E talvez tudo seja culpa desta inconstância que me define



Sei que começou teus novos passos

E lentamente serei apenas uma história passada



Ivo Fernandes

16 de fevereiro de 2012

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Minha Clarice




Teus olhos me mostram que não vale pena gastar os meus com lágrimas
Teu sorriso me traz uma paz que nenhuma dor poderá destruir
Teus gestos involuntários me revelam a grandeza do toque
Tua face me tem, possuindo minha alma no instante em que a contemplo

Você é a história mais bela entre as páginas manchadas de um livro velho
Você é a estrela mais brilhante num céu negro de nuvens carregadas
Você é o oásis dentro do meu deserto
Você é meu tudo quando estou cercado de nada

Quando estou contigo não me importo se perdi
Quando sinto teu cheiro me esqueço de todos os apelos
Quando te tenho nos braços de nada me arrependo

Você mudou meus referenciais
Deu-me uma nova data para celebrar
E uma nova razão para viver

Ivo Fernandes
4 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O homem de um destino só



Quando muito se fere a alma
Perdemos a ingenuidade de crer
E ganhamos a astúcia de ver

Um dia ele foi uma criança...
Na infância ganhou o poder de enxergar além
Além dos pais que abandonaram
Além da pobreza em que viveu
Além da violência ao seu redor
Além da solidão que o acompanhava

Ingenuidade perdida pelo pecado
Pecado praticado
Pecado induzido
Pecado que está

Vemos-nos menos diante do espelho
Há algo que se perde com o tempo
As rugas da vida cobrem o rosto juvenil

E aí vão embora os amigos
Vão embora os amores

Fica o de sempre
Fica o quarto vazio
Fica o diário velho
E as lágrimas que correm

E você não sabe se amar é melhor do que viver

...e erramos...

E erram com a gente...

Mentem
Traem
Trocam

E onde deveria haver amor há um jogo

Os anos se passaram, a criança envelheceu...
Mas em todo velho mora a criança eterna
Talvez aprisionada pelo tempo
Pelas lágrimas
Pela solidão

Vivendo para voltar a enxergar novamente
Por meio da lente do silêncio
Da grandeza da natureza
Do amor entre os pares

E acreditar de novo que em meio às densas nuvens há um sol escondido...

Ivo Fernandes
16 de abril de 2005

No Caminho




Sigo o Caminho
Mas confesso que não me importo com o destino

Confesso minha ignorância
Sei pouco do Caminho que percorro
Não sei explicá-lo
Não consigo defini-lo
Por isso só consigo dizer vem e vê

Confesso
Não conheço a mim mesmo
De mim só sei o que sinto
E sei que amo estar neste Caminho
E já não me importa onde Ele me leva
Só me importa Nele estar

Neste Caminho nunca estou perdido
Neste Caminho não há medo
Neste Caminho nunca estou só

Ivo Fernandes
09 de fevereiro de 2007

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Morte do poeta




De repente, mas não de maneira repentina, deixei de sentir
Já não havia mais medo de perder
Meu corpo enfraquecido já não reagiu
Não desejava mais o toque
E necessidade alguma parecia haver

A paixão já não era um motivo e nem uma busca
E minhas mãos ora quentes também agora eram frias

Uma vontade de chorar me domina
Mas não há uma direção
É apenas a certeza da falta

E poucos percebem, pois ainda trago no rosto aquele sorriso
Acostumei-me tanto com a solidão que de fato ela é só minha
Como um pássaro sem asas numa gaiola aberta

Será tudo isso a morte?
Terá o amor enfim ido embora?
Há ainda um coração?

Não muito tempo e desejei sentir alguma coisa
Até mesmo sofrer por uma paixão que não pudesse
Qualquer emoção que me fizesse sentir vivo
Mas fui esquecido pelos céus

Agora nada faz muito sentido
Não existem mais caminhos onde aguarde encontrar alguém
Pois eu já não sinto nada

Ivo Fernandes
13 de agosto de 2010

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Miragem




Disse saber quem eu sou
Mas não sei o que isso significa
A verdade é que inventei minha história
Não conheço propósitos senão os de minha arte
Não sei pra onde estou indo, só sei que vou

Vivi muito tempo com energias do passado
Hoje não sei se é exatamente aqui que eu queria estar
Mas já não quero estar em outro lugar
Mesmo que não saiba em que lugar estou

Falaram de uma história escrita
Mas às vezes acho que a única história que existe é aquela que escrevo com os meus passos
E é por isso que de mim sei tão pouco, pois a cada passo não sou mais o mesmo

Sou fruto da minha imaginação
Sou apenas uma ilusão
Faço de conta que me conheço
Mas só conheço os personagens que invento
Sou apenas uma miragem

E além de mim o que há?
Quem está por trás das cortinas do meu palco?
Talvez também não saibas
E sejamos todos atores de uma novela que não existe
Exceto em nossa invenção diária de ser

Ivo Fernandes
13 de abril de 2011

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Minha religião




Sou um ateu que acredita no Mistério
Na minha incredulidade já vi muitos milagres do cotidiano
Invoco um Deus que habita no céu sem deuses
E estimo os deuses sem Deus

Creio na soberania do coração
Lugar onde nascem as divindades
E o coração é livre gerando uma multidão de seres
Uma revelação profunda de tudo que somos

Feliz o homem que dança com todos os ritmos
Feliz quem não escraviza a mente negando a verdade do outro

Ivo Fernandes
5 de julho de 2011